A Comunicação Interna para retenção de talentos

A Comunicação Interna teve seu início por volta da década de 1960, quando o objetivo passou a ser a divulgação de informações e novidades, seguida do foco na implementação de estratégia corporativa na década de 1980. Finalmente, com os anos 2000, seu foco passou para a construção de relacionamento e sinergias internas, fortalecendo a marca no mercado e conquistando vantagens competitivas sustentáveis.

Vale destacar que a comunicação não é sinônimo de informação. Ela é um processo pelo qual informações, intenções, fatos, atitudes, sentimentos e ideias são transmitidos e recebidos pelas pessoas. Assim, essencialmente, só há comunicação quando há diálogo, isto é, quando há troca de conteúdo com feedback, portanto, a comunicação é o compartilhamento de significado entre os indivíduos.

O papel da comunicação interna

A dúvida de quem exerce a função de comunicador interno nas organizações, é constante no ambiente corporativo. Surgem perguntas sobre a necessidade de  uma formação específica para a atividade, sobre a contratação de especialista em comunicação para desenvolver, implantar e acompanhar o plano de comunicação interna ou ainda sobre os programas de desenvolvimento de habilidades comunicativas individuais para a eficácia da comunicação nos processos e relacionamentos. No entanto, todos na organização, do chão de fábrica a alta direção, podem e devem ser comunicadores.

Gestores e lideres de todas as áreas tem entre as suas atribuições e responsabilidades a função de comunicador, exercendo as seguintes atividades:

  • Comunicar a estratégia organizacional;
  • Estimular o engajamento dos funcionários;
  • Mudar os objetivos estratégicos, conforme as necessidades e expectativas corporativas;
  • Projetar e implantar as estruturas de comunicação, incluindo-se os mecanismos de feedback;
  • Internalizar a imagem da marca
  • Compartilhar conhecimento;
  • Desenvolver uma rede de relacionamento para treinar, motivar e desenvolver os colaboradores para a melhor forma de executar as suas tarefas; e
  • Promover a  comunicação com todos os públicos interno e externo.

A sustentabilidade de uma organização depende fortemente de sua estrutura de comunicação. Para manter-se viva no mercado, a empresa deve se tornar dinâmica e, para tanto, deve ter fluxos ágeis e eficazes de comunicação, que envolvem a construção de relacionamento entre os indivíduos em diversos níveis e o desenvolvimento de uma rede de comunicação interna. É uma força tão vital, pois influencia continuamente as práticas de trabalho e dita o clima organizacional.

Tal sustentabilidade serve para que a empresa consiga transmitir aos colaboradores mensagens claras, de fácil compreensão, só assim os futuros talentos saberão o que a companhia espera deles. A troca comunicacional e enriquecedora deve ser recíproca, assim, a empresa saberá os caminhos a seguir para a melhora efetiva do ambiente organizacional, investir em seus colaboradores e consequentemente retê-los, sem perder qualidade no atendimento e no serviço prestado por ela.

O impacto da comunicação na retenção de talentos

Para que a retenção de talentos seja efetiva, a comunicação interna deve ser vista estrategicamente pelo grupo responsável pela Gestão de Pessoas. Reuniões trimestrais ou semestrais com todos os colaboradores, desde diretores, gerentes e funcionários, é uma ótima oportunidade para integração. Recepção em um ambiente mais descontraído, com café da manhã, integração com todos para um bate-papo sobre os resultados alcançados, os objetivos futuros, os clientes etc.

Durante essas integrações, é importante que notícias não positivas sobre a empresa também sejam pauta da conversa para que, a partir disso, todos possam trabalhar em rumo às soluções necessárias. Com isso, a empresa promove o desenvolvimento de um pensamento mais crítico e estratégico, independentemente da posição hierárquica de todos os presentes e de forma focada e integrada, caminhando para o crescimento continuo e positivo e trazendo benefícios para a organização e seus colaboradores internos e externos.

Para ajudar o RH a reter talentos, a comunicação interna deve se preocupar com a transparência, levando os valores da empresa aos empregados para que estes se sintam parte da organização, mantendo-se engajados ao propósito do seu trabalho.

Nesse contexto, o RH deve ter em mente que não apenas soluções tradicionais, como capacitação e implantação de benefícios, são os únicos caminhos para melhoria da retenção. Uma boa comunicação interna mostra-se, na verdade, como uma ferramenta muito eficaz além de estratégica.

 

Nancy Assad

 Nancy Assad – É jornalista, pós-graduada em Marketing pela FGV, e especialista em Comunicação Estratégica. É autora dos livros: “Media Training – Comunicação Eficaz com a Imprensa e a Sociedade”, da Editora Gente, “As Cinco Fases da Comunicação para Gestão de Mudanças – Como aplicar Conhecimento na Sustentabilidade Corporativa”, da Editora Saraiva, e “Liderança Eficaz – Como Vencer Desafios Utilizando Comunicação Estratégica, Negociação e Ética”, da Editora Publit, 2012.É palestrante e professora de Comunicação e Ética em cursos de pós graduação.

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