A quem interessa ser engajado?

Com qual seriedade você encara sua comunicação interna?

Após ler este texto você pode responder-nos por este formulário.

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Esta pergunta pode parecer um tanto presunçosa, porém ela está baseada em fatos. Segundo pesquisa, 35% das empresas brasileiras não possuem um setor ou pessoa responsável pela comunicação interna.

Bom, aqui há dois momentos:

1 – Caralha, estou entre estes 35%, e agora o que faço? Isso é ruim? Como mudo isso? …

2 – | Sorriso de canto | Estou entre os outros 65% e minha comunicação vai muito bem, obrigado! Contudo, o questiono, você tem certeza disso?

Aos dois casos há solução, ou ao menos há planos de ações que podem ser sugeridos para evitar a derrocada da comunicação na sua empresa.

Primeiro ponto: de que lado você se encaixa? Ao decidir isso é preciso entrar em outras questões que podem se tornar delicadas de acordo com a realidade de cada um. Por exemplo, destes 65% que têm um setor de comunicação delineado, 49% têm mais de um canal de comunicação e 16% nenhum. Ou seja, há um setor de comunicação, mas de um lado há um grave equívoco ao pulverizar a comunicação em vários canais – 75% dos profissionais apontam ter dificuldades em encontrar as informações que precisam – e de outro não há nada. Resumindo, nos dois casos o problema é o mesmo. Não há diálogo!

Viviane Mansi, mestre em comunicação e gerente global de comunicação interna da Votorantim Cimentos, destaca que o diálogo é o principal elemento para se trabalhar o engajamento nas organizações. Ela comenta que as empresas estão corretas em buscar engajamento para maior maior produtividade, contudo questiona: o que o funcionário ganha com isso?

Você já considerou esta questão? O que seu colaborador ganha em ser engajado, por produzir mais e melhor, porém com o mesmo salário e, em alguns casos, com poucos recursos e sem ganhar horas extras?

Viviane defende que é difícil mensurar o que um colaborador ganha em ser engajado, e por este motivo as organizações ao buscarem engajamento precisam deixar claro qual o propósito disso, como o engajamento irá beneficiar aos dois parceiros desta ação. Caso contrário, defende ela, o engajamento servirá apenas à empresa e isso é muito frágil, suscetível à quebra deste ‘contrato’.

Distração à mão

E esta quebra de contrato está à mão de todos nós. Viviane detalha que já ouviu comentários do tipo: “gostei do Whatsapp Web, por que posso ficar conversando com meus amigos e o chefe vai achar que estou trabalhando”. Talvez, o primeiro pensamento que venha à mente seja a de o colaborador ser relapso e não estar comprometido com a empresa, ou seja, falta a ele engajamento.

Neste caso, um dos princípios básicos das empresas, ou talvez você esteja pensando isso, seria optar pela demissão deste colaborador; afinal ele está prejudicando a organização.

Na verdade, se você teve este pensamento, você está errado. Este olhar é tão ou mais prejudicial à organização que a atitude de dar de ombros ao trabalho. Perceba, em geral não são as pessoas que não querem fazer um bom trabalho, mas o ambiente ao qual ele está inserido que fomenta esta atitude. Por exemplo, na própria fala do profissional há o termo chefe, isto é: há o peso da hierarquia, de uma gestão centralizada que, talvez, não ouça o que o colaborador tem a dizer e a partir disso constrói-se a ideia de: por que vou me doar à empresa se não há propósito no que eu faço.

Voltamos aqui a ideia do título deste texto: a quem interessa ser engajado?

 

França

França

Jornalista, especialista em cinema e mestrando em Literatura, nas horas vagas lembra da tempestade que destruiu Macondo e combate o crime em Gotham City.