Um novo modelo de Comunicação com Colaboradores

Por Shel Holtz, Diretor da Holtz Communication+Technology e IABC Fellow com contribuição de Vanessa Puerta

Durante uma apresentação que realizei na Conferência Mundial da IABC em Washington, D.C., revelei um Novo Modelo de Comunicação com os Colaboradores. Embora eu continue a refinar esse modelo, ele reflete cerca de dois anos de trabalho. Neste texto e nos próximos materiais, você irá saber mais sobre o modelo e suas partes em detalhes. 

As origens do Novo Modelo de Comunicação com Colaboradores

Durante a maior parte dos últimos dois anos, estive preocupado com o futuro da Comunicação com os Colaboradores. Porém, tudo começou em 1977, quando fui trabalhar para o Departamento de Comunicação com os Colaboradores da ARCO como um editor assistente do ARCOspark, um jornal semanal distribuído aos 55 mil funcionários da companhia. 

Nos 40 anos seguintes, mesmo quando assumi a responsabilidade por outros elementos da comunicação comercial, a Comunicação com funcionários sempre fez parte do meu portfólio.

Eu acredito completamente e sem reservas, que a boa comunicação com os colaboradores pode elevar a cultura organizacional de uma empresa, inspirar e motivar seus funcionários, oferecer resultados desde a base e ajudar os líderes a dormirem melhor à noite.

E acredito igualmente que a má – ou nenhuma – comunicação com os colaboradores irá minar os melhores esforços dos líderes, do time de marketing, da equipe de vendas e dos funcionários dedicados que desejam que a organização tenha sucesso.

Desde a ARCO, observei a ascensão da Comunicação com os colaboradores como uma função de negócio. Os líderes a levaram a sério. A estratégia começou a conduzir as táticas. Os comunicadores começaram a medir seu trabalho, procurando além de benefícios, resultados significativos e relacionados aos negócios. (Para saber mais sobre a minha trajetória na ARCO, leia a primeira edição do eBook “Um Novo Modelo para a Comunicação com Colaboradores” gratuitamente aqui). 

Comunicação: uma via de mão única levando a lugar nenhum?

Mas, atualmente, enquanto muitas empresas continuam percebendo os benefícios de investir em pessoal para criar uma Comunicação com os colaboradores competente e criativa, em geral, vejo as comunicações com os colaboradores em declínio.

Ouço regularmente de comunicadores que perderam seus empregos ou foram absorvidos em outro departamento, geralmente após um novo CEO se perguntar por que a empresa está pagando por uma função que diz aos funcionários o que eles podem encontrar facilmente em outros canais.

Hoje, os funcionários podem acessar todos os mesmos canais disponíveis para líderes, investidores, clientes e analistas. Eles podem ouvir o que outros funcionários e consumidores pensam da empresa fazendo uma busca na internet em sites como LoveMondays, Great Place to Work e Reclame Aqui. Podem conversar um com o outro por chat, ler os comunicados de imprensa da empresa em seu site e segui-la no Facebook, Twitter e LinkedIn. E, você não pode culpar um CEO que visa melhorar a eficiência da empresa por ele se perguntar:

Por que pagar por um departamento que comunica as mesmas notícias que os funcionários já recebem de dezenas de outras fontes?”.

Alguns líderes de comunicação pensam que a função não é mais relevante como uma atividade discreta. Lucy Adams, ex-diretora de Recursos Humanos e Comunicação Interna da BBC, disse em uma entrevista: “A comunicação interna como uma função e abordagem estritamente definidas está morta”. Gerard Corbett, ex-presidente e CEO da PR, Redphlag, escreveu no Spin Sucks blog, “Talvez seja hora de deixar de lado o interno e o empregado como modificadores das comunicações aos funcionários e designar um guarda-chuva geral das comunicações”.

Tudo porque, mesmo que os colaboradores – como o resto do mundo – tenham se tornado mobile, a comunicação com eles permanece enterrada em intranets fracas, muitas vezes inavegáveis, ​​emaranhadas com conteúdo desatualizado e ferramentas de busca disfuncionais. E, além disso, entre a vasta gama de funções empresariais, a Comunicação com os colaboradores é praticamente a única que nunca adotou um conjunto de padrões.

As consequências de uma má Comunicação com colaboradores

Se pudermos concordar que o objetivo final de qualquer departamento, área ou pessoal responsável pela  comunicação com colaboradores é fazer diferença na organização, muitas vezes os dados revelam que não fazemos isso bem.

Embora uma série de outros fatores afetem a confiança, o engajamento e outras medidas de sucesso, é claro que a Comunicação com Colaboradores praticada a nível profissional, com base em padrões fundamentais, produz bons resultados em termos de engajamento –  mas este é, justamente, um dos grandes desafios da Comunicação.

Por isso, um novo modelo para a Comunicação com Colaboradores

A medida que eu me alarmava com a crescente eliminação dos setores de comunicação, a absorção da atividade por outros departamento nas empresas, o fracasso da área para evoluir os padrões essenciais e administrar métricas para mostrar em que a comunicação deveria melhorar para ser boa, um modelo começou a tomar forma.

Você não encontrará nada que ainda não tenha sido dito aqui – muitos comunicadores já abraçam muitas das peças do modelo. Poucos, no entanto, incorporaram todos eles na rotina  como base para seu trabalho.

O modelo não se destina a ser um conjunto de requisitos inflexíveis. Grande parte da comunicação depende do mercado em que a organização atua, do que ela faz, de sua regulamentação, da natureza da força de trabalho e de uma ampla gama de outras considerações.

Entretanto, no seu núcleo, o modelo pode servir de guia para assegurar que a comunicação com os colaboradores seja fundamental para o gerenciamento da organização e produz resultados mensuráveis ​​e relevantes.

Neste material – e nos próximos – você verá detalhes sobre cada elemento, enquanto também poderá explorar como as peças se encaixam para fornecer uma estrutura para qualquer departamento, área ou processo de comunicação com os colaboradores.

Sobre o autor:

Shel Holtz é Diretor da Holtz Communication + Technology, aconselhando empresas em estratégias de comunicação mensuráveis. A prática de Shel enfatiza a comunicação dos funcionários e as mídias digitais e sociais. Antes de fundar a HC + T em 1996, a Shel liderou as área de Comunicação Corporativa de duas empresas da Fortune 500 e trabalhou como consultor de comunicação organizações de consultoria de recursos humanos globais. Ele é o autor de seis livros com temas de comunicação e inúmeros artigos para jornais e revistas. Blogueiro e pioneiro em produzir podcasts sobre Comunicação, Shel é credenciado pela Associação Internacional de Comunicadores de Negócios (IABC), onde também é um membro. Ele é um membro fundador da Society for New Communication Research e membro platina da rede de Redes Sociais da Mayo Clinic.

Este conteúdo foi  publicado originalmente em inglês (disponível aqui), traduzido com exclusividade para o blog Cultura Colaborativa pela especialista em Comunicação Interna Vanessa Puerta e adaptado pela equipe do blog.