Design Thinking no Setor Público

Muito se fala sobre os benefícios do Design Thinking, mas será que ele realmente é aplicável no Setor Público? O que é, por que e como utilizar o Design Thinking na minha instituição pública?

O que é Design Thinking?

É uma abordagem metodológica utilizada por diversas instituições públicas e privadas para resolução de problemas, que vão desde aperfeiçoar a distribuição de água potável no mundo, até desenvolver uma instigante narrativa para uma campanha de serviços públicos – que procura soluções criativas e funcionais para problemas complexos e multifacetados.

 

Alguns o definem como filosofia, outros como metodologia, abordagem, método, modo de pensar. Ele pode ser tudo isso junto, mas alguns pontos são essenciais à compressão do que se trata:

  • É orientado por três pilares: a imersão, ideação, prototipação, que se desdobram em fases (por exemplo: empatia, definição, ideação, prototipação, testagem) e ferramentas;
  • É utilizado para a criação de produtos e/ou serviços;
  • Pode ser compreendido de forma mais ampla como um processo para a solução de problemas complexos;
  • Parte do princípio de que todos nascemos com a capacidade de sermos criativos, mas para desenvolver soluções aplicadas para problemas complexos, ficará mais fácil seguir um método estruturado;
  • Une aspectos que tornam as soluções desejáveis com aquilo que é tecnológica, econômica e socialmente viável;
  • Potencializa processos de inovação!
Indicadores de Inovação do Programa HubGov 2017 (WeGov, 2017)

O HubGov é o programa de inovação da WeGov que reuniu 14 instituições, que apontaram 14 desafios em março de 2017, e ao longo de 6 meses, trabalharam nestes utilizando o Design Thinking como pano de fundo, além de outros métodos e ferramentas. Oito dos desafios propostos tornaram-se projetos e estão em fase de implementação dentro das instituições de origem para resolver problemas reais dos cidadãos, enquanto outros 6 estão em desenvolvimento.

 

Mais do que trazer uma “receita pronta” de como deve ser executada a abordagem, a proposta é que se pense como um designer (por isso o “thinking”). Para isso devem ser assumidas determinadas posturas e desenvolvidas competências que contribuem para a inovação. Todas as habilidades essenciais à inovação (figura abaixo) podem ser trabalhadas ao longo de um processo de Design Thinking, o que significa dizer que além de chegar à solução do problema, a abordagem contribui para a formação de pessoas mais inovadoras.

 

Habilidades essenciais para inovação no setor público (OECD, 2017)

Como começar a usar Design Thinking na minha instituição?

Para conhecer a abordagem, nada melhor do que experimentar na prática – e para isso, existem diferentes oficinas e eventos acontecendo com o tema. Além disso, você pode estudar um pouco a respeito em livros e vídeos de palestras, por exemplo.

 

Depois disto, para começar a colocar a mão na massa dentro da sua instituição, você pode seguir alguns passos importantes:

  1. Monte o time: por trabalharmos com problemas e desafios complexos o ideal é uma equipe multidisciplinar. Escolha pessoas de áreas diferentes e com a cabeça aberta para inovação.
  2. Defina o desafio: o desafio deve envolver diferentes atores, ser complexo, a equipe deve ter autonomia para propor soluções.
  3. Defina o tempo de dedicação ao projeto
  4. Percorra as etapas principais do Design Thinking:
    1. Analise e explore o desafio sob diferentes perspectivas (principalmente as do cidadão que irá utilizar o serviço);
    2. Gere muitas ideias (inclusive absurdas) para solucioná-lo;
    3. Prototipe; e
    4. Teste.

Para saber mais sobre a abordagem, você pode ler o post Design Thinking: Primeiros passos pós-oficina, e conhecer ferramentas e metodologias para inovar no Setor Público.

Inovação é sobre pessoas, então mesmo que você traga a melhor ferramenta, o melhor método e a melhor abordagem, tudo passa por um forte engajamento e compromisso com o cidadão. É preciso desejar e fomentar a colaboração, a transparência e a melhoria da entrega no serviço!

 

Gostou da leitura? Acesse nossas redes sociais e fique por dentro de mais informações sobre inovação em governo!

Texto por Mônica Renneberg, facilitadora na WeGov.

Juste-se aos nossos + de 40.000 leitores que já acessaram nossos conteúdos exclusivos.