Empresas tradicionais rendem-se à socialização das ferramentas corporativas

As negociações de compra de uma importante rede social privada norte-americana, voltada para uso corporativo, pela Microsoft está incitando o debate na área e não é só pelo alto valor em questão – mais de 1 bilhão de dólares. A ação estratégica também aponta uma possível deficiência em relação ao SharePoint – plataforma de aplicações web da multinacional, geralmente associada à gestão de conteúdos e de documentos. A ferramenta é muito usada para alimentar intranets e sites corporativos, mas ainda não atende as expectativas dos clientes quando se trata de armazenar e compartilhar documentos ou funcionar como rede social.

A aquisição também pode indicar que a Microsoft estaria se preparando para oferecer produtos da marca Office com funcionalidades mais “sociais”, apresentando uma plataforma de colaboração mais robusta. Isso coloca em xeque a continuidade da ferramenta adquirida. Será mantida ou a Microsoft optou pelo chamado “acqui-hire”, quando o motivo de compra da empresa não é produto e sim suas pessoas?

O que essa situação revela, mais profundamente, é que muitas empresas possuem um ambiente tecnológico bastante fragmentado, com ferramentas que operam de maneira isolada, sem permitir interação entre os usuários, nas ações realizadas nos sistemas ou entre os próprios usuários. As atividades muitas vezes são interdependentes e a falta de integração pode atrasar processos e se tornar um obstáculo para a comunicação efetiva. Percebe-se, assim, que as empresas que comercializam software de gestão estão buscando a chamada “camada social”, ou seja, um módulo social para seus produtos.

Com a adoção de uma ferramenta de caráter colaborativo e integrador, como é o caso das redes sociais corporativas, é possível acrescentar uma camada social capaz de integrar todos os sistemas já existentes. Dessa forma, as ações efetuadas pelos usuários, por meio de outros sistemas, aparecem como uma Activity na rede social corporativa. Se o usuário de um sistema integrado de gestão registra a emissãoo de uma nota, esta ação aparece no rede social e pode ser vista pelo vendedor, por exemplo. Todos podem se manter atualizados o tempo todo sobre as atividades realizadas pelos colegas da empresa nos outros sistemas, tornando a rede social corporativa um hub de comunicação e acompanhamento para a empresa e seus funcionários.

As ferramentas com esse perfil mais social também costumam permitir que suas funcionalidades sejam incorporadas aos sistemas de gestão corporativa, possibilitando que os usuários colaborem e dêem feedback aos colegas, mesmo quando eles estão no ambiente destes softwares de gestão.

No Brasil, muitas empresas de tecnologia já perceberam a necessidade de se trabalhar com ferramentas integradas e que possibilitem uma interação social, mas esse é um movimento que crescerá rapidamente. Observa-se ainda o desenvolvimento de soluções caseiras, que acabam demandando muito tempo, além de mais recursos financeiros, sem que se atinja o nível de usabilidade e qualidade desejado para fomentar a adesão e a produtividade dos colaboradores.

E você, o que acha da camada social das ferramentas corporativas?