Ferramentas de comunicação não colaborativas têm alto índice de rejeição entre especialistas em comunicação

Notamos que há algum tempo tem havido uma melhora no sentimento à valoração da Comunicação nas organizações; há a percepção das empresas que, de fato, a comunicação é um elemento estratégico e, se bem utilizada, torna-se uma forte aliada em períodos de recessão ou até mesmo de crises, internas ou externas.

Contudo, quem faz esta comunicação no país? Quem são os profissionais que estão na linha de mediação entre colaboradores e gestão, com a responsabilidade de levar clareza e transparência a ambos os lados?

De acordo com a pesquisa ‘O perfil do profissional de comunicação interna no Brasil’ , a maioria é mulher (67%), com idade entre 31 a 45 anos (32%) e com especialização concluída (57%).

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Bem qualificados, estes profissionais visam a melhora da comunicação em suas empresas e estão mais capacitados para lidarem com as mudanças pelas quais a comunicação corporativa está passando.

Segundo 70% dos profissionais de comunicação interna no Brasil, o principal desafio a ser superado é a falta de processos e práticas efetivas de comunicação.

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Os desafios da comunicação interna

Pela visão de Alloyse Boberg, jornalista e consultora de comunicação corporativa, as empresas precisam dedicar um tempo para realizar a boa comunicação. “Se você tem um bom plano de comunicação, mas não pratica ele, é como querer perder peso sem cortar nada. Você sabe que é bom cortar o doce, mas, lá no seu dia a dia, você não corta”, ilustra.

Ela defende que além de planejar e praticar o que foi delineado é importante à gestão estar comprometida com a comunicação. “Quando quem faz a gestão não tira esse tempo para colocar a comunicação em prática, como, por exemplo: ser assertivo, comunicativo, suave, eficaz em suas pontuações, os demais não vão fazer porque a gestão é o espelho para os demais”, salienta.

 

O reflexo da gestão na comunicação é outro ponto avaliado na pesquisa. De acordo com os dados, quando ligada a uma diretoria de comunicação, 73% dizem perceber maior valorização e preocupação com a comunicação interna. Por outro lado, quando ligada à presidência executiva ou RH, o sentimento de valorização cai; apenas 35% a veem valorizada.

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Alloyse comenta ser importante haver setores de comunicação, desde que eles não sejam criados como engodo. Ela explica que isso é comum em algumas organizações e o reflexo é o sentimento de desvalorização.

Para a especialista, um setor de comunicação funcional não apenas comunica, mas promove a integração. Isto é: gera uma sensação de unidade, deixando de lado preocupações com cargos e status e se volta ao propósito da empresa.

Ferramentas mais utilizadas

Propósito, é uma das palavras mais citadas por especialistas em comunicação entrevistados pelo Cultura. Para Cíntia Guimarães, executiva de comunicação corporativa, as organizações precisam repensar algumas atitudes e preocupar-se em definir o propósito da comunicação. “Para que fim ela é destinada na empresa, apenas informar ou integrar pessoas?”, comenta.

A questão é diretamente voltada ao sentimento de participação e engajamento dos colaboradores nas ferramentas de comunicação. Pelos dados da pesquisa, plataformas de mão única, apenas informativas, têm alto índice de rejeição por parte dos respondentes.

Redes tradicionais são as mais utilizadas pelas empresas. O mural, por exemplo,  está presente em 70%, o jornal em 56% e a intranet tradicional em 54%; contudo, o índice de rejeição a elas é proporcional. A intranet tradicional figura em primeiro com 66% de rejeição, seguida pelo mural com 57% e jornal com 50%. Ferramentas mais atuais como: intranetes sociais, presentes em apenas 33% das empresas, têm uma taxa de rejeição de 46%, no comparativo é a ferramenta que melhor se sai, quando se discute integração e colaboratividade.

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Alloyse comenta que a rejeição enfrentada pelas ferramentas de mão única é justificada pela sua natureza apenas informativa, que não permite o diálogo. “Todo trabalhador quer opinar sobre aquilo que faz”, salienta. Já no caso das intranetes sociais, ela credita a rejeição à falta de mobilidade: “As vezes, é mais fácil levantar da cadeira e ir conversar”, explica ela.

Vinícius Bento, analista de Customer Success da SocialBase, comenta que esta rejeição às plataformas sociais se dá pela falta de acompanhamento à rede. “A ferramenta por si só não produz engajamento, ela facilita o trabalho, mas para haver comunicação é necessário que haja um trabalho sobre ela: como usar? por que usar? como ela facilitará o trabalho e a comunicação? Enfim trabalhar estes pontos é essencial para se obter sucesso”, explica.

Outro dado interessante:

27% das empresa valem-se apenas de uma plataforma para comunicação; destas, apenas 44% apontam perceber eficiência.

Das empresas que utilizam duas ferramentas (27%), 70% relatam ver efetividade; já as organizações que têm três ou mais (42%), 74% se dizem satisfeitos com os resultados obtidos.

Para Alloyse, o resultado é interessante, porém destaca ser preciso um certo cuidado, pois muitas ferramentas podem levar a falta de controle da comunicação; além de, claro, o aumento de custos inferidos à prática.

Ela explica que o importante não é o número de ferramentas, mas sim a forma como são aplicadas e a clareza como são expostas. Inclusive, já falamos aqui no Cultura Colaborativa que existe uma forma muito simples para que a sua empresa decida a melhor plataforma de comunicação para ela.

“As empresas de comunicação são o maior exemplo de que quanto mais ferramentas pior é. O combinado não sai caro. Então, se for decretado que as mensagens serão passadas por telefone e whatsapp, pronto, as pessoas usarão esses canais”, esclarece ela.

Opinião

A pesquisa ouviu 180 comunicadores de todo o Brasil, de empresas de vários segmentos e portes. Para Isabela Pimental, especialista em comunicação integrada e respondente da pesquisa, o estudo mostra que ainda falta por parte das empresas uma visão estratégica sobre o papel da comunicação tanto sobre a gestão de pessoas, quanto à motivação de equipes e na manutenção de um ambiente favorável à execução da missão da organização.

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Ela defende que é responsabilidade do RH e da Comunicação engajar lideranças para que todos participem dos processos e pulverizem a comunicação em todas as áreas.

Isabela também aponta que a comunicação não deve ser mais vista apenas como interna, mas como um elemento de manutenção de relacionamentos contínuos com os colaboradores. “Não basta lotar a caixa do colaborador de emails, é preciso produzir um conteúdo multiplataforma, atraente e eficaz, que faça o funcionário se sentir valorizado e bem informado”, finaliza.  

França

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Jornalista, especialista em cinema e mestrando em Literatura, nas horas vagas lembra da tempestade que destruiu Macondo e combate o crime em Gotham City.