Inovação aberta em B2B

Há alguns dias falamos aqui sobre o conceitos de inovação aberta e como a sua aplicação bem desenhada pode ser rentável às empresas. Com base nos conceitos do especialista Michael Glessner seguimos destacando as possibilidade de aplicação da política para empresas B2B.

Segundo Glessner, o processo de inovação aberta não deve ser encarado de maneira “leve”, ou seja, para empresas B2B há desafios adicionais na abertura de seu capital de inovação. Os pontos levantados por ele vão desde a identificação com a temática até a concretização da iniciativa em valor palatável.

Segundo suas análises, há inicialmente quatro etapas críticas a serem superadas na abertura de dados para inovação.

O primeiro deles está relacionado ao contexto de sua iniciativa. Essencialmente, uma jornada para inovação aberta começa a partir do momento que você contempla o contexto de uma solução. Isto é:

    • ao determinar os fatores chaves que estão envolvidos no problema, você terá em mãos o primeiro “tópico” à solução. Em outras palavras, se sua equipe está em um labirinto devido a dificuldades técnicas em um ponto específico. Um capital intelectual ou tecnológico externo pode ser a solução. Isso não significa que sua equipe está despreparada ou é inferior às externas, mas sim, que há alguma limitação dificultando o fomento ao crescimento da estrutura como um todo.
 a inovação aberta proporciona o aumento da produtividade em equipe tanto retendo talentos como aumentando as possibilidades de aprendizado e assimilação de conhecimento.
      • o segundo ponto a ser avaliado dentro dessa estrutura inicial é o de identificar o contexto ao qual esse desafio está inserido. Se a conformidade regulatória é um fator chave aos esforços de desenvolvimento é preciso ser considerado o upfront no design.
      • Ao final dessa primeira etapa, mensure o conforto da empresa com o compartilhamento de informações. Além de você, todos os envolvidos precisam estar cientes da abertura dos dados e como essa intervenção pode afetar a cadeia produtiva, de pesquisas e possíveis dificuldades comerciais com parceiros (com ou sem acordos de divulgação). Esclarecer esses pontos vai ajudá-lo a fazer escolhas específicas para trabalhar a situação.

O segundo ponto a ser verificado é a escolha de uma comunidade ideal. Na sua essência, a inovação aberta é o acesso à sua empresa de profissionais não ligados a ela.

Para determinar quem serão estas pessoas ou empresas conectadas a você, considere as experiências; em que ramo profissional elas estão inseridas; acesso a elas;  conhecimentos e relações que possam possuir com o seu produto.

Não importa a geografia? Que interesses os participantes têm? É possível que em um campo muito diferente de estudo a abordagem perspectiva seja muito díspar à sua situação específica, de modo que devem ser incluídas outras indústrias?

Essas perguntas ajudam a definir os grupos ideais às interações de inovação aberta. Glessner destaca: “Quando motivados a trabalhar em conjunto, a um objetivo comum, esses contribuintes individuais podem tornar-se uma comunidade vital – um grupo de pessoas que compartilham o conhecimento como forma de obter o melhor”.

Tenha em mente que os elementos de uma comunidade diferem de empresa para empresa, mas no centro é um modelo que permite acesso a pessoas e recursos que podem ser utilizados para atender a um objetivo. Em grandes organizações, ambas as comunidades –  interna e externa podem coexistir de maneira sustentável – beneficiando-se mutualmente, tanto em questões técnicas; comerciais e humanas. Para fazer com que essas comunidades obtenham sucesso, defina objetivos recíprocos, recrute membros de comunidades adequadas e tenha um plano para manter os níveis de engajamento no alto.

Em seguida, você precisa facilitar a ligação entre a sua empresa e a comunidade. Quem da sua organização deve interagir com esta comunidade externa e como será este processo? Esta é uma oportunidade para atribuir talento técnico a participantes do grupo que possam auxiliar no refinamento das regras, nível de interação de todos os participantes e  incluir métodos e frequência de contato.

Por exemplo, escreve Glessner: “ao invés de simplesmente definir um problema, considere ter participantes internos trabalhando em uma alternativa de solução e, em seguida, procure por ela na comunidade. Tal abordagem pode limitar a quantidade de informações sensíveis que você precisará compartilhar.”

Por fim motivação. Defina uma forma de manter os participantes ativos e em busca do melhor resultado. Motivações de participação variam individualmente, mas geralmente não são monetárias e tipicamente incluem aprendizado, realização e componentes sociais.

Se você construiu um contexto robusto, definindo uma comunidade com conexões efetivas, profissionais habilidosos e motivadores-chave identificados é provável a obtenção de sucesso com a inovação aberta.  Com essas diretrizes desenhadas, você pode se mobilizar e começar a compartilhar ideias e colher conhecimento.

Considere esses pontos como uma oportunidade única de alavancar recursos de maneira assertiva. Entre as opções que podem obter resultados frente a custos baixos estão: financiamento de pesquisas acadêmicas; liberação da tecnologia para setores específicos após o produto final concluído; iniciar um projeto em parceria com instituições de pesquisas.

 

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Jornalista, especialista em cinema e mestrando em Literatura, nas horas vagas lembra da tempestade que destruiu Macondo e combate o crime em Gotham City.