Inovar é a chave para evitar qualquer crise

“A inovação é um elemento que hoje pode ser um diferencial, mas futuramente pode ser um requisito, quer dizer, a empresa que não inovar está fora”, Leandro Carioni.

A afirmativa do profissional resume em alguns caracteres a real proporção da inovação no mercado, hoje inovar é um conceito, como descrito anteriormente, que atrai atenção, investimentos e traz ao detentor do conceito: credibilidade – mesmo, em alguns casos, sendo mal utilizado.

Carioni pontua que empresas inovadoras são corporações de altíssimo valor agregado, ou seja, “uma organização inovadora tem um faturamento muito maior que as não inovadoras; o produto dela gera mais valor à empresa e ao país”. Em consequência disso, possuem um posicionamento de destaque no mercado, sendo mais competitivas e transformando o entorno do ambiente ao qual elas estão inseridas. Esse movimento reflete, segundo o diretor, em uma mobilização tracionaria, ou seja, “quando uma indústria está indo para algum lugar no país, ela visualiza onde estão acontecendo as inovações. É isso que elas estão buscando hoje”,  considera Carioni.

Bons Exemplos

Segundo reportagem do Uol economia, Florianópolis é a melhor capital brasileira para se empreender. A afirmativa do site galga-se em um estudo divulgado pelo Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) de 2014.

De acordo com o estudo, a capital catarinense se destaca na educação e na inovação. Carioni analisa que esta relevância está relacionada ao aplicar-se na ilha um empreendedorismo inovador e não puramente “fazer um carrinho de cachorro quente”, exemplifica. Para ele, este empreender de forma diferenciada com empresas de alto valor agregado, competitivas e geradoras de emprego asseguram uma ótima receita ao estado. Isso significa, segundo Carioni, um impacto econômico pontual, que traz aliado a ele um impacto social muito grande, revertido em benefícios à população. “Logo, a inovação reverbera em um impacto absurdo em termos sociais, evitando mortes e reduzindo custos”, ressalta Carioni.

Carioni cita como exemplo o caso da Nano Endoluminal. A empresa atua na criação e aperfeiçoamento de stents para o coração. “O que a empresa fez com o desenvolvimento desta tecnologia foi evitar inúmeras mortes, devido à cirurgias complexas e diminuir custos. Quer dizer, antigamente era preciso importar o equipamento; o SUS não conseguia pagar e havia todo o processo cirúrgico extremamente delicado que foi evitado por esta inovação. Além deste exemplo, há vários outros casos de sucesso apoiados pela Certi por meio da Sinapse da Inovação, um modelo de game que estimula a inovar, e o mais importante financia boas ideias” completa. Até hoje, segundo dados da Certi, a Sinapse já viabilizou 300 empresas, que juntas faturam cerca de R$ 120 milhões e geram cerca de 1.200 postos de trabalho.

Riscos de Inovar

Além dos riscos voltados à falhas, apontados por Carioni, ele destaca a alta carga tributária como um problema que atravanca a inovação. Segundo ele, enquanto nos EUA a taxa é de 12%, no Brasil é maior que 20%. Para ele, a inferência do encargo inibe o potencial de investimento. “Embora, a lei 10.973 esteja trabalhando para modificar esta realidade e venha evoluindo bastante, ainda existe uma carga muito forte” lamenta ele.

Outro ponto levantado pelo profissional é o fator cultural. Carioni diz que embora, o país esteja aprendendo muito, ainda há um estigma sobre quem monta uma empresa inovadora e faliu. “Nós ainda não valorizamos este profissional como deveríamos. Nos EUA, na Alemanha e em outros países este profissional é muito valorizado, porque o aprendizado que é obtido com esta quebra é muito valiosa. Nós estamos começando a inverter essa cultura do não vai dar certo, para a cultura do vai dar certo – você errou, mas você vai acertar da próxima vez. Este é o caminho”, indica Carioni.

França

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Jornalista, especialista em cinema e mestrando em Literatura, nas horas vagas lembra da tempestade que destruiu Macondo e combate o crime em Gotham City.