Inteligência Colaborativa: A convergência da Inteligência Competitiva com a Gestão do Conhecimento

Atualmente, a capacidade de inovar passou a ser a nova exigência do mundo globalizado, que as empresas têm que incorporar, como competência organizacional, para ser manterem competitivas no mercado.

Todavia, a maioria das empresas brasileiras, sobretudo as de pequeno porte, ainda não incorporou a inteligência competitiva, como ferramenta gerencial que permite o acesso ao processo de coleta, análise e disseminação de informação, e de sua transformação em conhecimento estratégico, para o apoio à tomada de decisão e o alcance de uma vantagem competitiva.

Infelizmente, apenas uma pequena e restrita parcela de empresas brasileiras têm acesso às informações tecnológicas disponíveis nas diversas fontes (em particular nas universidades e institutos de pesquisa). Poucas são as empresas que têm trabalhado efetivamente na perspectiva da utilização do conhecimento como fator de produção, por meio da implementação de métodos, técnicas e ferramentas de inteligência competitiva e de gestão do conhecimento.

Na raiz deste problema está a falta da cultura do conhecimento, como fator de agregação de valor às empresas, devido a diversas circunstâncias, dificuldades e questões que envolvem essas novas tecnologias   de gestão da economia baseada no conhecimento.

As empresas vencedoras deste século serão aquelas que conseguirem incorporar uma cultura de aprendizagem organizacional, baseada na capacidade das pessoas interagirem e compartilharem informações e conhecimentos, dentro de uma linguagem comum e de um esforço conjunto, gerando um potencial significativo de inovação. Este novo “ativo” tem uma particularidade muito interessante: se antes o capital era guardado para aumentar a riqueza de seu proprietário, hoje ele deve ser compartilhado, porque o conhecimento compartilhado cresce, enquanto o conhecimento não utilizado se torna obsoleto e perde seu valor.

Nesse sentido, é importante que as empresas desenvolvam uma postura voltada para a inovação e destaquem em suas visões, valores, princípios, perfil de seus funcionários, infraestrutura e estrutura organizacional, meios para maximizar os seus processos de aprendizagem organizacional. O foco deve estar na identificação, criação, armazenamento e, principalmente, no compartilhamento e uso de informações e de conhecimentos.

As empresas vencedoras deste século serão aquelas que conseguirem incorporar uma cultura de aprendizagem organizacional, baseada na capacidade das pessoas interagirem e compartilharem informações e conhecimentos

O potencial de competência, que representa o homo sapiens do século XXI, em gerar conhecimentos, a partir de informações, é de tal ordem que podemos considerar que tudo aquilo que existe hoje, já está obsoleto. De fato, ao final do século XV, com a descoberta da impressão por Gutenberg, o que era informação manuscrita passou, gradativamente, a ser informação impressa, e a humanidade evoluiu do obscurantismo da Idade Média para o Renascimento. Da mesma forma, neste século, com o desenvolvimento fantástico das tecnologias de informação e comunicação, capazes de armazenar milhares de páginas de textos e imagens, seguramente o que hoje, ainda, é informação impressa rapidamente se transformará em informação digital, permitindo, então, que a humanidade evolua definitivamente de uma era industrial, baseada em bens tangíveis materiais, para uma nova era, baseada em bens intangíveis imateriais, baseada no conhecimento.

Portanto, o conhecimento atualmente é mais importante do que qualquer outro fator de produção da era industrial. Está cada vez mais claro que a criação de conhecimentos e de competências é uma prioridade organizacional.  Esses recursos influenciarão o futuro das empresas por meio da inovação, do desenvolvimento de novos produtos e da abertura de novos mercados. Algumas dessas competências estão entranhadas na cultura organizacional. Muitas dessas competências são baseadas no conhecimento tácito que compõe parte significativa dos ativos intangíveis de uma organização. O sucesso de uma empresa decorre de sua capacidade e especialização na criação do conhecimento organizacional, entendida como a capacidade de criação de um novo conhecimento, difundi-lo na organização como um todo e incorporá-lo em produtos, processos e serviços, isto é, de sua capacidade de inovar.

O desenvolvimento de ativos de uma organização é um dos maiores objetivos da gestão empresarial. Esta tarefa é entendida como de grau complexo, na medida em que os ativos mais valiosos de uma organização são bens intangíveis e não bens de capital, como máquinas, imóveis e fábricas. O valor dos relacionamentos com um cliente, ou com um fornecedor, não é menos importante do que o valor de uma fábrica.

Segundo JOHNSON (1998)¹, “uma das maiores razões que compelem a usar a gestão do conhecimento é aquela da inteligência competitiva”, sugerindo que a primeira seja utilizada como estrutura ideal para a segunda. A   existência de um Sistema de Gestão do Conhecimento facilita o fluxo e a criação de conhecimento, permitindo que a inteligência também consiga ser gerada mais facilmente. Um Sistema de Inteligência Competitiva, por sua vez, é facilitado ela existência de um Sistema de Gestão do Conhecimento.  Ambos estão preocupados em “entregar um produto” que sirva, ao final, de apoio à tomada de decisão e ao aumento da competitividade da empresa.

Esta convergência entre um Sistema de Inteligência Competitiva com um Sistema de Gestão do Conhecimento no apoio às empresas de pequeno porte foi designada por Da Silva Cândido (2014)² como “Inteligência Colaborativa”.

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1 JOHNSON, Arik R., Using Knowledge Management as a Framework for Competitive Intelligence. 1998. Documento da Web, URL: www.aurorawdc.com/ekma.htm. Acessado em 06/09/2014.

2 DA SILVA CÂNDIDO, Marcondes. Inteligência Colaborativa no Apoio às Empresas de Pequeno Porte. Tese apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.

Prof. Neri

Prof. Neri dos Santos

Diretor da Knowtec, Prof Sênior do Departamento de Engenharia do Conhecimento da UFSC, Prof. Visitante do Mestrado em Educação e Tecnologias Educacionais da UNINTER, Doutorado em Ergonomia da Engenharia – CNAM (Paris/França), Pós-Doutorado em Engenharia Cognitiva – École Polytechnique (Montréal/Canadá)