“Não há como falar de endomarketing ou de comunicação interna sem falar em algo que antecede esses dois: ouvir”

Endomarketing e Comunicação Interna ainda sustam inúmeras discussões entre profissionais de Desenvolvimento Humano e mesmo entre comunicadores. Segundo a mestre em comunicação, Viviane Mansi,  esta disputa ocorre pelo contexto de ação, ou seja, profissionais focados em marketing, com experiências positivas em grandes campanhas defendem o endomarketing como solução às empresas, por outro lado, profissionais de Relações Públicas irão defender a comunicação interna como mais eficiente.

Em contrapartida, Viviane aponta que o importante não são as terminologias, “a questão, nestas duas formas de se referir ao assunto é: o tipo de comunicação que faz sentido aos empregados” completa. Ana Paula Baseggio Lehmkuhl, gerente Desenvolvimento Humano e Organizacional do DOT Digital Group, corrobora à opinião de Viviane: “não há como falar de endomarketing ou de comunicação interna sem falar em algo que antecede esses dois: ouvir”. Para ela, antes de desenvolver qualquer ação é imprescindível saber o que as pessoas tem a dizer e onde a empresa quer chegar.  Ela explica que o planejamento da área de recursos humanos deve ser feito com base no Planejamento Estratégico da empresa, na pesquisa de clima e de satisfação. O resultado, aponta ela, é uma maior probabilidade de acerto.

“As pessoas recebem as ações de endomarketing ou de comunicação interna não como algo que caiu do céu, mas como algo que faz sentido – para elas e para a Organização. Pode-se dizer que nossas ações são resultadas de um prévio diálogo, sem deixar de surpreender”, comenta ela.

Ela enfatiza que uma das práticas que deve ser aplicada está em envolver todos os colaboradores e equipes, para que possam contribuir com o planejamento estratégico da empresa. Com isso, segundo ela, todos podem entender mais sobre o negócio da empresa, além de observar o mercado e nossos concorrentes. “Além disso, a equipe pode propor objetivos que reforcem nossos pontos fortes e neutralizem os fracos” elucida Ana.

Por esta abordagem, explica Ana, tudo o que é proposto pelo grupo ao longo do ano, como ações de comunicação interna ou endomarketing já estarão automaticamente atreladas ao exercício de ouvir as pessoas. “Este é o primeiro passo para termos engajamento”, reforça.

Segundo a gestora este processo trata-se de um ciclo, ou seja, ao ouvir as pessoas, todos contribuem à construção do planejamento estratégico, todos entendem os objetivos da empresa e os levam à alcançar as metas. Logo, “as ações serão desenvolvidas com base em tudo isso”, evidencia. Assim, “fica mais fácil aos colaboradores empenharem-se em campanhas, mudar algum comportamento – sem que isto tudo venha a criar algum constrangimento, irritação, ironia ou até mesmo boicote”, ilustra Ana.

Esse processo produz, de acordo com ela, um efeito de mudança e de engajamento de longo prazo, pois cada membro da equipe entende que as ações partiram de uma decisão do grupo.

Conquistar pelo exemplo

Ana conta que uma prática de endomarketing aplicada no DOT está em convidar os colaboradores a cuidar da própria saúde, buscar entender os alimentos que consomem e a saber lidar com a ansiedade. Estas ações relata ela: “estimulam o engajamento individual e todos ganham – ganha empresa, ganha colaborador e ganha a sociedade”.

A relevância da aplicação destas praticas está relacionada, de acordo com ela, em pesquisas que demonstram, cada vez mais, um profissional em busca de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Bingo!” comemora Ana. “Voltamos ao início. Tudo isso resulta de conversa, de ouvir o que as pessoas têm a dizer”, arremata.

Na análise da gestora, endomarketing ou comunicação interna acontecem por meio de happy hours, e-mail marketing, vídeos institucionais e etc, “mas nada disso surte tanto efeito como juntar a galera, fazer uma roda no canto da sala e conversar. Simples assim”, determina ela.

Porém, mensura Ana, “seja endomarketing ou comunicação interna, não podemos esquecer que nos comunicamos por exemplos, nossas atitudes do dia a dia dizem muito, nossa postura profissional, a forma como falamos com as pessoas de nossa equipe dizem mais do que ações elaboradas e desenvolvidas estrategicamente”.

Por fim ela indaga às empresas: “Que mensagem estamos enviando todos os dias em nossas atitudes? Dependendo das respostas, toda a estratégia, por melhor elaborada que seja, pode cair por terra e na ridicularização”, finaliza.

Endomarketing ou Comunicação Interna?

Dito isto, como centro de reflexão sobre nos apegarmos a conceitos, tidos como verdade, preparamos um material sobre Endomarketing e Comunicação Interna (CI) pela visão dos profissionais: Daniel Costa da empresa Santo de Casa e Gerson Bonani da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Diferença entre Endomarketing e Comunicação Interna

 

França

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Jornalista, especialista em cinema e mestrando em Literatura, nas horas vagas lembra da tempestade que destruiu Macondo e combate o crime em Gotham City.