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Necessitamos de novos líderes para esta nova era!

Valeska Schwanke Fontana Salvador e Jocelito André Salvador, dirigentes da Conducere Desenvolvimento Corporativo, destacam neste artigo a necessidade de se rever o papel da liderança à luz da Era do Conhecimento.

Exercer o papel de líder em pleno século XXI, sem dúvida, não é tarefa fácil, nem de longe.

Embora liderar, em qualquer tempo, sempre tenha sido um desafio, pois a complexidade é inerente ao ser humano. Ou você considera que ser humano é algo simples?

Pois bem, muito já foi dito, refletido e revisto sobre o tema liderança, mas desejamos focar em algo mais específico, mais direcionado, para que não corramos o risco de divagarmos sobre diversos temas, simplesmente, sem um objetivo a ser atingido.

Vamos focar na liderança em plena Era do Conhecimento, pois se você ainda tem dúvidas da diferença que há entre a era atual (do Conhecimento) e a Era industrial (Século XX), vale analisar, muito rapidamente, este paralelo entre as duas eras:

industrail-conhecimento
Fonte: Aprendizagem e desenvolvimento de pessoas. Paulette Albére Alves de Melo … [et al.]. Rio de Janeiro: Editora FGV:2015, p. 16
Você até pode discordar de nossa visão, de que há uma mudança significativa de paradigmas, de que as velhas práticas de gestão e de liderança já não são mais aplicáveis. Contudo, cremos que é impossível ignorar que há muitas novidades ocorrendo nesta era, não lhe parece?

Partindo deste pressuposto, ou seja, de que é impossível atingir resultados distintos, em condições e num ambiente totalmente distintos, utilizando-se das mesmas práticas de sempre, vamos refletir um pouco sobre o seu papel, enquanto líder, na Era do Conhecimento.

Desejamos, sem querer esgotar, de forma alguma, o assunto, focar em 03 aspectos que consideramos muito relevantes para você liderar com eficiência hoje:

  1. Arquitetura do negócio
  2. Criação do conhecimento organizacional
  3. Aprendizagem e colaboração

Naturalmente, sabemos que não são os únicos aspectos que você, como líder, deve atentar, mas deixe-nos falar um pouco sobre cada um para demonstrar sua importância no seu dia a dia.

Arquitetura do Negócio

Você já deve ter se dado conta, independentemente da sua área de atuação, que o seu negócio precisa ser revisto de forma periódica, pois há movimentos, seja do mercado consumidor, dos concorrentes, das inovações tecnológicas etc., que assim o exigem.

Contudo, quais são os principais aspetos que você, enquanto líder da operação ou exclusivamente de uma posição estratégica, precisa vislumbrar com atenção:

a) Modelo do negócio, não confundir com com o plano do negócio, visto que estamos nos referindo ao modelo baseado na metodologia Canvas.

Estamos nos referindo aqui a questões como PUV (Proposta Única de Valor), Recursos-chave, Canais, Fluxo de Custos e Receitas etc.

b) Cadeia de valor, conceito que pegamos emprestado de Michel Porter, para que consigamos, minimamente, ter uma visão sistêmica do negócio e suas correlações internas e externas.

Você precisa ter uma visão estratégica e sistêmica do seu negócio, mas também como ele se relaciona com os seus fornecedores, parceiros, clientes, governo e a sociedade.

Não estamos dizendo, obviamente, que você tem que conhecer a fundo todos os processos da sua empresa e da sua cadeia de valor. Porém, como compreender as relações de causa e efeito das suas decisões diárias, se você não tiver isso em mente?

c) Competências essenciais ou core competencies, mapeamento, desenvolvimento, proteção das competências que, efetivamente, geram e mantém os diferenciais competitivos da empresa que você atua.

Este, aliás é um conceito trazido à tona por PRAHALAD, C. K. e HAMEL, G.  no artigo “The core competence of the corporation“, publicado na Harvard Business Review em maio/1990, sobre o qual não vamos gerar um aprofundamento neste momento, embora muito relevante, para que não percamos o fio condutor da nossa discussão.

Criação do conhecimento

Perceba por gentileza, que não estamos nos referindo “simplesmente” à ideia de gestão do conhecimento organizacional e sim à administração da criação do conhecimento organizacional.

Qual a diferença básica nisso?

Não é apenas uma questão de semântica.

O fato é que falar de administração da criação do conhecimento organizacional é dizer que, muito além de controlar o conhecimento das pessoas, que é criado e utilizado na empresa, de priorizar o conhecimento explícito em detrimento ao tácito, deve-se, sim, incentivar a criação constante de novos conhecimentos pelas pessoas da empresa.

Isso, independentemente da posição hierárquica dessas pessoas, de forma muito mais aberta e colaborativa, e fazer com que estes novos conhecimentos passem a fazer parte dos processos da empresa, ou seja, do seu dia a dia.

Não lhe parece que esta forma de ver a criação do conhecimento organizacional tem muito mais a ver com as práticas do século XXI do que a ideia de “gerir” o conhecimento, que é muito mais parecida com a era industrial?

Aprendizagem e colaboração

Fator importante e extremamente estratégico, como já destacava Peter Senge, na primeira edição de A Quinta Disciplina, ainda no início dos anos 1990, é a capacidade da organização de aprender a aprender. Isso, inclusive, tem se tornado cada vez evidente, nos nossos dias.

Aqui vale ressaltar uma análise de Patrícia Souto, em sua obra Gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional:

“Quanto mais turbulento, dinâmico, competitivo e mutável é o ambiente em que a empresa opera, maior é a necessidade de aprendizagem. ” (SOUTO, 2013)

Some-se a isso a facilidade de troca de dados e informações entre as pessoas, com a evolução da TDIC (Tecnologia Digital da Informação e Comunicação), e percebemos que o fator colaboração também está cada vez mais evidente. Afinal, assim como nos traz George Siemens e Stephen Downes, há uma nova teoria de aprendizagem, ou seja, o conectivismo.

Pois muito bem, vamos nos ater a estes três fatores, com mais ênfase na criação de conhecimento e na aprendizagem e colaboração, para dar andamento às nossas considerações.

Novos tempos, novas demandas

Queremos trazer para esta nossa discussão uma pesquisa elaborada pela PwC Brasil em 2012, a qual nos ajuda a compreender as novas demandas, das novas equipes, que começam a popular as nossas empresas.

Obviamente, que as demandas apresentadas não são exclusivas de determinada geração (X, Y, Z, Milleniun etc.).

Contudo, também nos parece óbvio que para pessoas que já nascerem com acesso muito mais facilitado às informações, seja pela evolução da internet ou pelos softwares de busca, os métodos tradicionais de criação de conhecimento, aprendizagem e colaboração, devem ser efetivamente distintos.

Parece-nos evidente que focar numa ideia de sala de aula tradicional ou mesmo com o uso de videoaulas no e-learning, onde os aprendizes são agentes totalmente passivos, não é a melhor forma de garantir a criação de conhecimento e da efetiva aprendizagem.

Percebe-se também que o fator colaboração está muito presente, evidenciado na necessidade que as pessoas demonstram de trabalhar com treinadores ou mentores, ter um processo de rodízio de funções para ganhar experiência.

As demais conclusões, com base na pesquisa, você vai conseguir avaliar melhor a partir da sua realidade, naturalmente.

Criação de conhecimento, aprendizagem e colaboração juntos e em síntese

Agora, você como líder, pode questionar: OK, mas o que tem a ver a criação do conhecimento organizacional com os processos de aprendizagem e colaboração?

Segundo Nonaka e Takeuchi, a criação do conhecimento nas empresas acontece de forma espiralada, ou seja, em forma de espiral, na interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito.

Aliás, tal interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito, é o responsável pela geração da inovação, segundo demonstra tal teoria.

Contudo, um dos pontos mais interessantes que a figura nos mostra é que nesta interação de conhecimentos (tácito e explícito) ocorre a aprendizagem e a colaboração. Você pode conferir na imagem!

Isso parece-nos deixar clara a importância de você, líder, incentivar o seu time para que tais interações entre as pessoas aconteçam, ou seja, que haja aprendizagem, colaboração e por consequência criação de novos conhecimentos e inovação contínua.

Aliás, não estão praticamente todas as empresas dizendo que a inovação constante é um dos fatores-chave para a sobrevivência nos nossos tempos?

Para os negócios que querem avançar na Era do Conhecimento, aqueles que denominamos de Smart Business, recomendamos este artigo, sobre a Inteligência Corporativa da Uber e Cabfy.  

Colocando em prática a colaboração

Demos uma olhada com uma atenção mais especial, agora, ao processo de colaboração nas nossas empresas, pois parece não restar dúvidas que é um fator relevante para o sucesso dos nossos empreendimentos diários.

Embora possamos considerar formas diversas de colaboração entre as pessoas da mesma equipe, entre times diferentes ou mesmo entre empresas diferentes, vamos nos ater a algumas que comprovadamente criam novos conhecimentos e inovação.

Neste sentido, você já deve ter ouvido em algum momento, mesmo que eventualmente, o conceito de Comunidade de Prática (CoP), não é mesmo?

As comunidades de prática tornam-se aplicáveis quando da adoção de ferramentas, que possam operacionaliza-las.

Elas são um excelente exemplo de tecnologia ativa e voltando a nossa pirâmide de aprendizagem, podem alcançar a faixa dos 50% a 90% de aprendizagem, dependendo por óbvio das práticas e do envolvimento das partes expostas a esta ferramenta.

Clique para conhecer um pouco mais sobre tecnologias ativas e passivas de aprendizagem

Imagine você ter uma equipe mesmo que pequena, 05 pessoas, numa CoP sem um ambiente que possa conectá-las e fazer uma gestão das suas ideias, informações e que organize a vasta possibilidade de materiais que são gerados ou disponibilizados em suas interações.

Parece algo logicamente inviável, não é mesmo?

Por isso mesmo, usamos ferramentas, hoje bastante avançadas e acessíveis para que este processo de colaboração, aprendizagem, criação do conhecimento e, por consequência, inovação aconteça, de fato, como uma Rede Social Corporativa  – pensada para 

acolher e desenvolver CoPs, sejam de 05 ou de 100 pessoas, estejam elas fisicamente próximas ou não.

De fato, a tecnologia não deve ser pensada como o final do processo, mas como um meio de viabilizá-lo.

Assim, a ideia não é que as pessoas podem parar de conviver presencialmente e não haverá nenhum prejuízo nisso. Muito antes pelo contrário.

O propósito aqui é aproximar pessoas, suas ideias, sua criatividade, seus conhecimentos e com isso gerar novas colaborações, novos aprendizados, novos conhecimentos e inovação contínua.

Imagine que se assim não fosse como podemos integrar os atores da nossa cadeia de valor, que por menor que a sua empresa seja, vai envolver pessoas espalhadas pelo Brasil, com sua dimensão continental?

Vamos aprofundar nossas discussões sobre estes temas, tão atuais e pertinentes para quem exerce o papel de líder?