Modelo de gestão do futuro: senso de propósito como lição do Millennials

Os millennials, jovens nascidos entre 1982 e 2000, estão invadindo o mercado de trabalho e ganhando cada vez mais espaço. Estes jovens, diferentemente da geração anterior, estão mais preocupados em ter um senso de propósito bem definido para o seu trabalho do que essencialmente ganhar muito dinheiro ao final do mês. Eles possuem mais interesse em empresas cujo modelo de gestão preze por um ambiente de trabalho descontraído, com líderes que pensem não apenas nos lucros mas também no crescimento pessoal e profissional de cada indivíduo. 

Por isso, muitas empresas, principalmente startups de tecnologia, buscam adotar horários mais flexíveis e ambientes de trabalho mais interessantes, incluindo no pacote jogos, salas para cochilo e snacks para os seus colaboradores, o que acaba atraindo muitos jovens para este ramo. Segundo pesquisa realizada pela Delloite, empresas TMT (tecnologia, mídia e telecomunicações) são as mais atrativas para esse público, conquistando 33% de votos, percentual três vezes maior do que o segundo colocado, alimentar e bebidas (10%).

Modelo de gestão mais flexível

Porém, apesar de todas as regalias que as empresas oferecem aos seus colaboradores, há muitas críticas a esse modelo de gestão.

Críticas ao modelo de gestão

Uma grande crítica partiu de Dan Lyons, repórter que trabalhou durante muitos anos na revista Newsweek cobrindo temas de tecnologia, e que, após ser demitido foi trabalhar na HubSpot. Após um ano na HubSpot, Lyons decidiu sair da empresa e escreveu o livro Disrupted: My Misadventure in the Start-Up Bubble (Disrupted: Minha Desventura na Bolha das Start-Ups, em tradução literal), onde conta um pouco sobre a sua trajetória.

A HubSpot é uma empresa fundada em 2006 que vende um software para Inbound Marketing. O software se propõe a automatizar o envio de e-mails e postagens em blogs,  aumentando assim o número de visitas e também de leads gerados. A empesa possui mais de 11 mil clientes, 1.500 parceiros e milhões de fãs, segundo seu blog.

Logo no início, Lyons percebeu que os colaboradores da empresa eram extremamente jovens, recém formados e sem muita experiência profissional. Esse perfil se refletia até mesmo em cargos de liderança. O modelo de gestão também diferia muito dos sistemas mais tradicionais, as mudanças aconteciam com muita frequência e muitas vezes em uma estrutura mais descentralizada.

Ele observou que, apesar de a empresa oferecer uma parede de doces para os colaboradores se servirem à vontade, uma geladeira de cerveja, boxes com chuveiro para quem era adepto à bicicleta como meio de transporte, massagem e pebolim, muitas metas eram astronômicas e que os horários flexíveis acabavam sendo extrapolados. Outra crítica de Lyons era que a pressão pela entrega era muito alta e que não havia um plano de carreira muito bem definido.

Modelo de gestão com metas agressivas

A empresa se defendeu das acusações de Lyons em um texto no LinkedIn, dizendo que é aceitável que a cultura da empresa não agrade a todos, e que “A maioria dos nossos funcionários ama a HubSpot. Nós recentemente fomos eleitos a quarta melhor empresa para se trabalhar nos EUA pelo site Glassdoor.”

Polêmicas a parte, o fato de que metas agressivas e jornadas longas afetam diretamente a felicidade no trabalho e a performance dos colaboradores no trabalho já são assuntos muito discutidos e bem mapeados. No entanto, é cada vez mais importante que as empresas percebam o que “segura” a nova geração e a mantém engajada e determinada em uma atividade.

Senso de propósito dos Millennials

Será que o que a Geração Millennial quer ter um emprego ou quer ter senso de propósito? O senso de propósito é o que faz os jovens ficarem em uma organização – não apenas os agrados. Um modelo de gestão colaborativa e mais horizontal, que priorize a transparência e o sentimento de pertencimento, é o que faz a diferença. Para complementar, o fato de essa nova geração desejar chegar em posições de liderança cedo, reflete a exigência de ter lideres fortes durante o caminho da sua carreira profissional, que vivenciem a cultura e os valores que a organização propõe.

Recentemente, a Harvard Business Review publicou um artigo sobre as Lições de empresas que colocam propósito à frente de lucros a curto prazo e nele é possível perceber este senso em organizações que no geral tomaram decisões consideradas “contraditórias” ou “estranhas” com relação a expectativa que se tem sobre grandes companhias.

Essas decisões basicamente foram tomadas não apenas pensando em lucro e no que é vantajoso, ou em fazer o que é certo. Elas foram tomadas em meio a um paradoxo, que está entre fazer o que os outros no mercado ainda não estão fazendo e identificar/investigar oportunidades que ainda podem ser emergentes, pensando em resultados a longo prazo, e de maneira sistêmica, que tornem a organização mais estável e sustentável no futuro. Esse tipo de atitude é o que atrai e engaja os novos empregados hoje, que buscam cada vez mais encontrar sentido nas tarefas, não só para si, mas para o mundo.

endomarketing o coração das organizações

 

Thaís

Thaís Moura

Publicitária, Customer Success, apaixonada pelo mundo da internet e por pessoas. No momento, desvendando o País das Maravilhas com minha pequena Alice ♡