“Transparência é primordial para que não se crie na empresa um clima de insegurança”

Olá, superstormers!

A nossa entrevista de hoje é com Radamés Martini, fundador e CEO da Social Base.

A Social Base é uma plataforma de comunicação interna que melhora a comunicação entre equipes e setores, além de gerar resultados para a sua empresa.

Qual a importância de manter o negócio em constante inovação?

No mundo de hoje as coisas mudam muito rápido e o que hoje é padrão em questão de dois anos está completamente obsoleto. Isso ocorre por que as coisas estão de fato mais dinâmicas e a facilidade de acesso às tecnologias está levando as empresas a inovar de maneira mais constante e mais rápida, sob a pena de ficar para trás.

A inovação hoje é o que mantém as empresas competitivas, as mantêm vivas no mercado. Há diversos estudos que comprovam que não oferecer constantemente coisas novas aos clientes da base é um risco muito grande, que compromete contratos e receita. Além disso, se irmos mais a fundo, com base nestas análises, fica claro a necessidade de pós a venda oferecer a cada seis meses um novo produto/funcionalidade a este cliente e mantê-lo engajado com seu fornecedor; a forma de fazer isso é simples. Inovar.

Esta inovação não necessariamente precisa ser de um produto novo?

Exato, pode ser uma nova funcionalidade, uma nova prática dentro daquilo que você já vendeu, não precisa ser necessariamente um produto novo. Mas isto tem que acontecer. Os clientes esperam isso de você; que seja apresentada alternativas a ela. Então, isso é muito importante para se manter na ‘crista da onda‘; no que diz respeito a inovação este movimento também tem um apelo ‘emocional’, pois o cliente reconhece quando uma empresa entrega constantemente oportunidades para que sejam melhorados os seus processos. Isto é: é importante estar à frente da demanda do cliente e oferecer o que ele de fato precisa.

Como a crise pode afetar as empresas, como desviar dela?

Na minha visão a crise afeta num primeiro momento todos, pois há um retração natural pelo cenário, mas ao mesmo tempo a crise é um oportunidade. Isto é: se você consegue se posicionar bem e oferecer um produto que venha a resolver um problema gerado pela crise, aí você tem uma oportunidade. Ao mesmo tempo também há um efeito de ‘limpeza’ no mercado, ou seja, acabam prevalecendo aquelas empresas que estão entregando um trabalho de qualidade, um trabalho de competência e ficam de fora os ‘aventureiros’, que as vezes estão no mercado pela moda de um determinado produto. Estas empresas não conseguem se manter em função da queda da demanda.

Acredito que além de 2015, 2016 também será um ano complexo, mas no nosso mercado de comunicação interna eu vejo como uma ótima oportunidade, por que quando há uma crise todos precisam se comunicar muito bem. Isto é: é de extrema importância repassar aos colaboradores como a empresa está, qual a visão dela, quais são as estratégias para enfrentar a crise. Esta transparência é primordial para que não se crie na empresa um clima de insegurança que pode potencializar a crise. Então, pro nosso caso vejo a crise como uma oportunidade por que muitos dos gestores que não viam a comunicação interna com uma questão estratégica, olha hoje para ela como um elemento de constância e aproximação com seus colaboradores.

Empreendedorismo e inovação estão alinhadas, é possível inovar sem empreender ou empreender sem inovar?

Sim, empreendedorismo e inovação estão totalmente alinhados. Mas sim é possível empreender sem inovar. Por exemplo, eu posso construir um edifício e ele ser igual a outras cem construções, ou seja, não estou inovando em nada, mas isso não deixa de ser um empreendimento.

Por outro lado, na minha visão, como empreendedor, acredito que a inovação é essencial. Pessoalmente gosto de estar envolvido com coisas novas. Gosto de inovar mesmo que não seja uma inovação disruptiva, por que, muitas vezes, uma inovação incremental pode ser a solução. Isso é muito do que acontece aqui na SocialBase, por que todos os dias estamos pensando em inovar, não apenas no produto, mas também nos processos que impactam diretamente na nossa relação com o cliente.

A inovação em processos internos da empresa é também uma saída à crise?

Quando se está em um momento de pujança, de crescimento, acaba que você não para pra pensar em tudo que está acontecendo dentro da tua empresa. Há sempre uma ‘euforia’ do está crescendo, está vendendo, então continua a andar sem olhar muito para o interno. Contudo é em um momento de crise que somos obrigados a nos reinventar. Então, é a ideia de fazer mais com menos. Ou seja, traçar um olhar crítico sobre o que está sendo feito, por exemplo: os recursos que estou colocando no marketing estão sendo bem aproveitados?, a estratégia de vendas está bem desenhada?, ou é necessário revê-la e direcionar a um determinado público, o desenvolvimento está bem estruturado?, não há alguma forma de redefinir processos para que não seja preciso contratar mais cinco pessoas, que a equipe de hoje pode produzir. Logo, a crise é também uma oportunidade neste sentido, de olharmos para dentro e rever processos e ganhar em produtividade sem precisar gastar mais.

Marketing como despesa x Marketing como investimento. Como você enxerga isso, diante da “crise” vivida no mercado?

Na verdade tem que olhar para o marketing tanto como despesa, pela visão de entender o que é possível otimizar dessa verba que está sendo gasta e, claro, também como investimento, por que deixar de investir em marketing em momento de crise significa perder completamente a visibilidade do trabalho que está sendo feito, do produto que se quer vender. Então, dá para enxergar das duas formas, como despesa: pela lógica de melhorar os processos de investimento e como investimento: para aumentar a visibilidade da estratégia e estar presente junto a seu público.

Você acredita que é errado cortar totalmente o investimento em marketing?

Sim, é completamente errado por que cortar totalmente o investimento em marketing motivado pela crise é sinal de que o marketing já não estava funcionando e deveria já ter sido cortado antes. Uma decisão deste teor prova que as estratégias de marketing não estavam bem desenhadas. Por que se o marketing está dando certo, em momento de crise o ideal é manter e talvez até aumentar. isso depende de caso a caso. Mas com certeza a estratégia é manter a visibilidade e adequar a linguagem ao momento; estruturar formas que mostrem aos clientes como a solução pode ajudar neste momento de crise. Isto é: já que todo mundo está falando de crise, tenho que mostrar ao mercado como posso ajudar a contornar e superar a crise.

Por esta lógica um bom planejamento em estratégias de marketing pode ser a solução?

Sem dúvida! Um bom planejamento de marketing, uma boa estratégia. Como falei anteriormente, olhar onde está sendo investido cada real de marketing e perceber se aquele real está trazendo resultado. Ou seja, olhar para o investimento em marketing e direcionar para às ações que estão trazendo resultados é fundamental neste momento. E, aí sim, a partir deste olhar, cortar ou redirecionar os investimentos.

Como são montadas as estratégias de trabalho para o marketing da SocialBase?

Hoje temos um mapa bem estruturado de todo o nosso investimento em marketing e monitoramos constantemente quais são os canais que estão trazendo resultados. Já fazemos isso a um bom tempo e hoje estamos com um direcionamento assertivo neste sentido.

Além disso, estamos fazendo algumas comunicações, alguns conteúdos sobre a crise, tentando mostrar ao mercado formas de superar a crise. Vejo isso, um pouco, como um papel social do SocialBase neste momento complexo.

Como a empresa está trabalhando neste cenário, qual é o planejamento de investimentos para o próximo ano?

Este ano foi interessante para nós, crescemos bastante, não seguramos investimentos internos, claro, sempre com um olhar crítico e com calma para não queimar dinheiro. Para 2016 estamos muito otimistas, temos uma boa perspectiva de crescimento e para sustentar este crescimento precisamos investir em todas as áreas; marketing, vendas, customer success e principalmente no produto.

Qual a sua opinião sobre o ecossistema de startups no Brasil?

Percebo que o país está vivendo o seu melhor momento no sentido de startups, tem muita empresa fazendo ótimos trabalhos. Como polos de tecnologia, eu daria destaque para Belo Horizonte, São Paulo e Florianópolis que contam com algumas empresas sensacionais que estão fazendo um trabalho com potencial de escala global;. Florianópolis em especial está em destaque, o RD Summit, que aconteceu no final de outubro, reuniu mais de três mil pessoas ligadas ao mercado de marketing digital e também ao mercado de startups. No evento foi possível perceber como o ecossistema está se integrando, cada vez mais linkado as boas práticas do Vale do Silício; este acesso a informações e pessoas do Vale está ajudando as empresas nacionais a se profissionalizar, melhorar processos e estratégias de venda e marketing. Eu vejo com muito otimismo este movimento e acredito que em breve o Brasil vai criar o seu primeiro ‘unicórnio*’.

Você acredita que este movimento tende a crescer mais?

Tende a crescer sem dúvida nenhuma. Não quero aqui denegrir o trabalho de ninguém, mas por exemplo: se pegarmos a Estônia, um país com pouco mais de um milhão de habitantes que já produziram o Skype e mais recentemente o Pipedrive, um software de CRM com mais de 20 mil clientes no mundo, é improvável não questionar como que o Brasil com 200 milhões de pessoas, com este pessoal totalmente conectado com o Vale do Silício ainda não produziu o seu ‘unicórnio’. Contudo, não tenho dúvida de que isso vai acontecer em breve.

Como você imagina o mercado digital no Brasil daqui há 5 anos?

Hoje o sonho de muitos brasileiros é ter um smartphone, se você perguntar às pessoas o que eles querem comprar, por exemplo agora no natal, é um smartphone, ou se ela já tem quer comprar um melhor. Isto representa muito mais que apenas o comércio, mas sim como o digital está avançando mesmo com todas as dificuldades que temos de infraestrutura. Se avaliarmos por números, nos últimos anos o crescimento nas vendas de aparelhos com acesso à internet cresceu só em 2014, 55%. Ou seja, as pessoas estão conectadas e isso tende a crescer cada vez mais. Além disso, 50% das casas no país têm acesso à internet. Ou seja, na minha visão o digital não é mais uma tendência, mas sim uma realidade que cada vez mais vai facilitar a vida das pessoas, basta olharmos para aplicações como o Uber o AirBnb. Acredito que muitos outros ‘Ubers’ irão surgir no digital e provocar impactos disruptivos no mundo ‘natural’.

 

*unicórnio é uma analogia a empresas com mais de U$$ um bilhão em valor de mercado.

Herbert

Herbert Lopes

É fundador do Superstorm. Também escreve ao portal Startse/Infomoney. Apaixonado por empreendedorismo, inovação, séries e livros. Desde de 2009 atua com marketing digital, participando ativamente de eventos do setor. Também produz conteúdo para diversos blogs e portais de marketing.